LEITURA CALIBÃ E A BRUXA
(FICHAMENTO)
O encarceramento em massa de mulheres negras perpetrado pelo Estado é a atualização do período colonial contendo a inquisição no Brasil. subrepresentação e representação deturpada da mulher nos meios de comunicação, violências obstétrica (SUS), corpos vítimas de violência policial nas periferias e experiências de perseguição, silenciamento, agressão e invisibilização das mulheres trans, travestis e prostitutas entre tantos paralelos essências.
*esse trecho esta no prefácio à edição brasileira e tais falas compõem o debate ocorrido quando do lançamento do livro eletrônico pelo coletivo Sycorax onde representantes mulheres de movimentos negros falaram de suas experiências entendendo o livro como eixo de ampliação de temas relevantes para compreensão da acumulação primitiva de capital nas américas, invisibilização de grupos politicamente minoritários e perda de direitos comuns, bem como enriquece o conhecimento sobre técnicas de controle social e extermínio tomando como base o caso da caça as bruxa na Europa e na América. p.8
buscar alguma referência sobre A tempestade de Shaskespeare
No prefácio à edição brasileira
Segundo as tradutoras a força motriz do livro seria originalmente a contribuição com o movimento feminista: da libertação das mulheres particularmente à subordinação aos homens seu objetivo era analisar a partir de uma análise histórica que a discriminação contra a s mulheres na sociedade capitalista não é o legado de um mundo pré moderno, mas sim uma formação do capitalista, constituída sobre diferenças sexuais existentes e reconstruída para cumprir novas funções sociais
contraponto ao marxismo leninista contexto de 1970 dos movimentos feministas pois que as situavam como donas de casa e portanto fora das relações capitalistas, a tradução dessa visão seria a emancipação por meio do trabalho assalariado, houve por parte de muitas feministas a rejeição dessa ideia em 72 mesmo após os esforços dos governos da europa e américa do norte para realocar as mulheres de volta ao lar situando as novamente como donas de casa em tempo integral- figura minada pelo esforço de guerra. p.11
A autora afirma que não se podia acreditar que o trabalho doméstico fosse remanescente do passado e não desempenhasse função na organização capitalista do trabalho ou que a subordinação das mulheres aos homens fosse atribuída à exclusão da produção do "socialmente necessário", - como os marxistas ortodoxos, com base em A origem da família, da propriedade privada e do estado, de Engels ainda sustentam. Contrariamente a essa ideia fora argumentado que o trabalho domestico longe de ser um resquício pré capitalista este trabalho na verdade seria um dos pilares da produção capitalista ao ser o trabalho que produz a força de trabalho e que a subordinação aos homens no período capitalista foi causada pela ausência de remuneração, e não pela natureza "improdutiva " do trabalho doméstico e que a dominação masculina é fruto do poder que o salário confere aos homens. p.12
- Se o salario anteriormente foi rechaçado como forma de emancipação feminina e agora ela afirma que o salário é o constituinte do poder que subordina as mulheres busca se então o reconhecimento do trabalho doméstico a nível Hegeliano (não sei se posso usar essa referência pois tive pouco contato com o autor, porem do pouco que estudei me pareceu cabível) *aguardo comentários e colaborações, ou seja espiritual, como um ideal sem nenhum condicionante, como algo dado?) Talvez meus filtros de quem faz o fichamento sejam ainda inconscientemente ortodoxos pois que de alguma forma tenha sido constituído dessa maneira e que eu acredite também ser necessário que eu saia de casa a fim de produzir algo relevante. AGUARDANDO PROFESSOR P.J. ME RESPONDER ALGO SOBRE ESSA MINHA CONTRADIÇÃO.
A autora afirma que o trabalho ainda que não remunerado é produtivo e isso deve ser reconhecido ainda afirma que o trabalho de Marx não foi útil visto que consideradas as atividade diárias como como de pouca importância para a classe capitalista e como se os trabalhadores se reproduzissem no capitalismo simplesmente consumindo os bens comprados com o salário.
Para a autora esse argumento desmerece o fato de que muitos desses bens foram produzidos por mulheres ( ou seja ignoram o fato do trabalho das mulheres na preparação desses bens de consumo e o fato de que muitos desses bens consumidos pelos trabalhadores industrias como café, açúcar e algodão foram produzidos pelo trabalho escravo empregado, por exemplo, nas plantações de cana brasileiras.
A autora se propõe a reescrever a história esquecida da mulheres e da reprodução na transição para o capitalismo, não sendo apêndice ao relato de Marx sobre acumulação primitiva
assim tudo deveria ser revisto bem como todo o processo de formação ao analisar o capitalismo sob o ponto de vista da reprodução da vida e da força de trabalho
Assim revisitar além de a caça as bruxas dos sec 16 e 17 bem como a ascensão da família nuclear e a apropriação estatal da capacidade reprodutiva da mulheres estudar se a também a colonização da América, a expulsão do campesinato europeu dos seus bens comuns e o processo pelo qual o corpo proletário foi transformado numa máquina de trabalho e uma das principais contribuições do livro para a história das transformações na reprodução da vida e na força de trabalho durante a "transição para o capitalismo" é a reunião de análises sociais, políticas e filosóficas que reúnem análises geralmente separadas por linhas disciplinares.
A autora afirma que apenas ainda assim narra apenas uma parte faltando a análise de exploração capitalista da natureza e seu impacto no trabalho reprodutivo e a função que o trabalho escravo desempenhou na reprodução do proletariado industrial e sua integração com a produção industrial por meio da produção de açúcar, café, chá e rum combustíveis da revolução industrial- só mencionadas, necessária ainda análise ampla para compreensão de como a caça as bruxas foi usada como um instrumento de colonização e das resistências dessa perseguição e apesar dessas omissões o quadro teórico reorienta a compreensão do capitalismo de forma a dialogar com desenvolvimentos econômicos contemporâneos e debates radicais, sendo recebido positivamente.
Observar o capitalismo pelo ponto de vista de vista dos não assalariados cuja exploração naturalizada e creditada a uma inferioridade natural o livro desmistifica a natureza democrática da sociedade capitalista e a possibilidade de qualquer "troca igualitária" dentro do capitalismo. Visto que o compromisso de barateamento do custo produtivo de trabalho ao longo do desenvolvimento do capitalismo exige o uso de máxima violência e de guerra contra as mulheres que SÃO O SUJEITO PRIMÁRIO DESSA PRODUÇÃO.
Isso é chave para compreensão de que em pleno início do sec 21 após mais de 500 anos de produção capitalista- a globalização ainda é movida pelo estado de guerra generalizado e pela destruição de nossos sistemas reprodutivos e de nossa riqueza comum e por quê, novamente, são as mulheres que pagam o preço mais alto, pode ser observado a partir do aumento de violência de gênero especialmente na África e América Latina (** quero saber se esse dado de que o aumento da violência se deu a partir de quando* será que essa violência não remonta aos primórdios?) onde a solidariedade comunal desmorona sob o empobrecimento e das múltiplas formas de despossessão Dentro dessa lógica o livro desafia programas políticos que propõem reformar o capitalismo ou presumir que a expansão das relações capitalistas e aplicação de tecnologia pode capitalista pode melhorar as condições da existência do proletariado mundial ou ter como resultado a unificação política assim o livro argumenta que a produção de uma população sem direitos e a criação de DIVISÕES DENTRO DA FORÇA DE TRABALHO GLOBAL SÃO CONDIÇÕES CHAVE PARA O PROCESSO DE ACUMULAÇÃO E ENTÃO O HORIZONTE DE NOSSAS LUTAS DEVE SER UMA UMA MUDANÇA SISTÊMICA, JÁ QUE PRECISAMOS EXCLUIR A POSSIBILIDADE DE UM CAPITALISMO COM ROSTO HUMANO.
Coloca a reprodução no centro da mudança política social e apoia a visão de que se não revalorizar nossa capacidade de cooperação mútua e a as atividade que atendem à reprodução das nossas vidas a política radical pode apenas racionalizar as contradições que o capital está enfrentando. Nesse sentido a história esta a serviço da política, pois ela confirma que, nas regiões onde povos oprimidos mantêm suas estruturas comunais e algum controle sobre as condições de sua reprodução, há maior sucesso na resistência à exploração p.13 a 15
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