Lavemos as mãos


(As primeiras 400 palavras-Rascunho horroroso)

É preciso responsabilizar se, pelas mortes a que estamos submetendo uma categoria da população que nos compõe e é maioria. A branquitude como conjunto de praticas historicamente confirmadas e constantemente atualizada anda prendendo como sempre em suas teias aspectos das individualidades impedindo que se movam condignamente. Pessoas negras que não se dão conta do racismo em nome de uma falaciosa democracia racial que nunca existiu. História para boi dormir. Criam se nas mentes incautas tal ideologia e doutrinados seguem repetindo a ode ao diverso desde que esse negro não impunhe a caneta que o retirara do lugar de privilégio, desde que o negro não lhe tome o lugar, desde que o negro não seja quem esse adepto da branquitude deva servir. Ora se o trabalho braçal é associado a cor negra, citando só um exemplo das práticas da branquitude, como seria ter esse subalterno ladeando consigo em pé de real igualdade?

Seria possível compreender as terríveis consequências de tomar consciência dessa conspiração silenciosa, ou não tomar consciência e adoecer, por crer se insuficiente, por crer se despertencido, por crer se merecedor de tal destino marcado por vezes, pela sensação de estar sofrendo diferenciações? O quanto de revolta, o quanto de inercia, o quanto de depressão se engendra nessa realidade posta? E ainda há a possibilidade de corroborar com a velha psiquiatria e tornar patológico o sofrimento impingido negro lucido ou não? Qual o truque? Impingimos tal qual Mannoni o gérmem inato da doença do negro e que pode se matar por ser depressivo e o problema ser dele? Isso aparece ainda como outro aspecto de política de morte onde há a invisibilização do racismo, e este inominável mau, do qual é portador o branco adepto da branquitude, em suas instituições, em nossos pilares, em nossas subjetividades, coloca a responsabilidade das mortes autoprovocados, levando ao limite o raciocínio, na mão da vítima. Ironicamente como medida de higienização que vigora há tempos e continua se atualizando.

Cremos que a responsabilidade por tais mortes esteja na mão dos adeptos da branquitude, e que muito facilmente se eximem dessa responsabilidade por serem os detentores do poder e ditarem as regras das instituições, das distrações ... das políticas públicas que insistem em invisibilizar o povo ao qual devemos.

Mas é uma dívida prescrita, anistiada, indultada da qual nem as pesquisas podem falar. O que faremos para agir. Como inquietos poderemos levar em frente a busca pela responsabilização dos verdadeiros homicidas? Como falar disso sem incomodar ninguém?

Alguem quer se incomodar?


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